O Blog da Escorregadela intelectual (versão 2.0)

24
Set 09

Apesar do encurtar das distâncias, das novas tecnologias, das redes sociais, do conceito de aldeia global e tudo e tudo e tudo, o que é certo é que, na generalidade, não conhecemos os nossos vizinhos. É certo que podem ser serial killers, tarados sexuais ou até mesmo políticos, mas o que é acontece, particularmente a quem vive, como é o caso do VM, numa elegante mas massificada zona de prédios, são muitas as caras conhecidas, são vários os "bom dia, como está?" mas são poucas as pessoas que se conhecem ou deixam conhecer. Não assistimos ao mito urbano do "ó vizinha 86-60-86, que adora fumar de tronco nú à janela, acabou-se-me o açúcar, faz o obséquio?", apenas temos as temíveis reuniões de condomínio, eventos que o VM, para bem da sua sanidade mental, procura evitar.

 Assim, quando o VM fica trancado dentro da sua própria casa (porque a porta está trancada e por mistério não abre por dentro), não existe a figura do vizinho amigo e prestável a quem se pode recorrer. E é no meio deste cenário, às 07:30 da manhã com uma reunião marcada para as 08:30 (com várias chamadas SOS realizadas e já à espera de uma amiga salvadora), que o VM vislumbra pela janela um vizinho anónimo (VA) a passear o cão.

A conversa efectua-se aos berros de um segundo andar, laços de confiança perfeitamente irracionais são criados em segundos, as chaves são atiradas e o VA, pronto para ajudar, avança para a entrada do prédio. Por um breve minuto, o VM fica refém de um desconhecido e do seu cão. Correu bem, chegou à porta ao mesmo tempo que a amiga salvadora e o VM chegou a tempo à reunião. Quanto ao VA, não chegou a haver um diálogo, nem tão pouco um agradecimento próprio. Por essa razão, e porque este muy digno estaminé é lido por milhões de seguidores (podendo o VA ser um deles), aquele abraço. Foi um gesto altruísta que salvou o dia do VM. Viva o vizinho anónimo (e em igual parte a amiga salvadora, a PNF - Pessoa Não Familiar - essencial à sobrevivência do VM)... e o seu fiel cão.

Mr. White às 15:20

comentário:
Pois é, ainda há exemplos de como viver em sociedade! Somos capazes de dar uma palavrinha ao nosso amigo virtual, nas múltiplas redes sociais que se espalham pela internet, e nem um "bom dia" dirigimos aos nossos vizinhos, ou então fazêmo-lo murmurando e baixando os olhos quando entramos no elevador! É um bonito exemplo o que esse senhor que passeava o cão deu! Ajudar o próximo, é um dos ensinamentos que não só os católicos devem seguir. E por falar em bons exemplos, não deveria este blog fazer referência à padeira de uma freguesia de Penafiel que, ao sair de casa de madrugada, depara-se com uma mala com € 9.300,00 e decide procurar o seu dono e restituir todo o dinheiro?! Este é sem dúvida um dos maiores exemplos de honestidade e ajudar o próximo. A senhora padeira simplesmente pensou que aquele dinheiro era de alguém que o tinha ganho através do trabalho árduo e que deveria estar aflito por ter perdido, tal como ela ficou aflita por já ter perdido coisas. O VM falava da perda do telemóvel e de como na Kapital alguém das suas amizades (ou conhecimentos) agiu de uma forma menos correcta! Pois espero que agora veja o exemplo desta senhora, padeira de profissão, humilde, gente do povo, que se limitou a entregar o que não era a seu a quem de direito! Esta senhora devia receber uma medalha!! E é tão linda a frase dela que diz tudo sobre esta senhora. Reza assim: "Eu não nasci para ser rica"... e esta, ein??!
SSF a 24 de Setembro de 2009 às 16:30

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