O Blog da Escorregadela intelectual (versão 2.0)

16
Abr 09

A história da vila piscatória, turística e soalheira de Cascais dos últimos anos não pode ser feita sem se fazer referência a um homem que abriu, na praia do Tamariz, no dia 26 de Agosto de 1949, a primeira geladaria à qual deu o seu apelido: SANTINI!

Durante anos, gerações de Cascalenses, Portugueses, turistas, Reis e Príncipes de toda a Europa deliciaram-se com os sabores dos seus gelados, acompanhados ou não pela bolacha estaladiça que lhes serve de cone! Só a titulo meramente exemplificativo, os gelados Santini serviram a residência do Estoril da Casa Real Italiana e forneceu os gelados para a festa de casamento da Infanta Margarida Borbón.

No dia 08 de Setembro de 1971, depois do encerramento da loja do Tamariz, abre a loja Santini na Avenida Valbom, bem no centro histórico de Cascais, onde ainda hoje permanece e…..

 

….no mês de Abril de 2009, como que se de uma prenda antecipada se tratasse pelos 60 anos de vida, a família Santini vendeu o negócio de quase 3 gerações, aos empresários Filipe Botton e Alexandre Relvas!

Mesmo com as garantias contratuais de que a família Santini continuará a produzir o “néctar” gelado com todos os padrões de excelência reconhecidos e a dupla Botton/Relvas tratará “apenas” da sua comercialização, este mister, Cascalense de gema e com Santini no sangue (de tantos que já degustou e devorou!), fica triste e apreensivo!

Em 1949, um cone custava 1$50! Quanto valerá hoje esse mesmo cone em termos mercantis e capitalistas? Quantas lojas, por este país fora serão necessárias abrir para rentabilizar o investimento e ainda obter lucro, em nome da tal comercialização!?

Sou um acérrimo defensor da liberdade de mercado e da livre iniciativa privada, mas também sei que quando um negócio, seja ele qual for, se mercantiliza e generaliza desta forma, raras são as excepções em que não perde qualidade na exacta proporção da quantidade de oferta. Espero profundamente que o tempo não me venha dar razão!

Há uns anos defendi que o Município de Cascais deveria atribuir aos gelados Santini o Estatuto de Património de Interesse Municipal! Se assim tivesse sido feito, talvez hoje a história Santini e de Cascais se escrevesse doutra forma….

Só me resta aproveitar e devorar todas as bolas de morango com limão, cuidadosamente “depositadas” no cone de bolacha verdadeira que o meu estômago conseguir aguentar e manter congelados uns bons quilos deste gelado, não vá daqui a uns anos ser uma raridade e ser esta a única forma de garantir que os meus netos conseguem, um dia, saborear as minhas recordações….

Mr. Hellmanns às 15:58

7 comentários:
Qualquer dia será a vez da Piriquita.... esta geração de perguiçosos só pensa no dinheiro fácil..... vender e viver do trabalho dos antepassados!
Pessimista a 16 de Abril de 2009 às 16:39

Considero este episódio uma vergonha municipal.

Houve quem tivesse aconselhado a classe politica a dar a este produto o Estatuto e Interesse Municipal, como aconteceu em Sintra aos travesseiros da Piriquita .

Desse modo teria-se evitado este triste episódio que nos veio tornar a alma mais triste e negra, num momento em que já não temos muitos episódios para nos alegrar.

Mas fico sem perceber uma coisa.
Porquê de tantos subsídios e apoios a projectos de pessoas que pouco ou nada tem a ver com Cascais, que só apareceram para ter um lugar ao sol, quando de outra forma iam para alguidares de baixo pregar num vão de escada cheio de mofo?

Realmente assim Cascais arrisca-se a dois cenários, um lugar de elite para meia dúzia, outro uma terra vazia de história e atractivos para cativar as pessoas a visitarem-na.
Anónimo a 16 de Abril de 2009 às 17:12

A venda é em si mesma o que mais lamento, por partilhar receios que a quantificação da oferta forçosamente, provoque a diminuição da qualidade do fabuloso gelado Santini.
Todavia, à reflexão, deixo as seguintes questões: afinal, não existia já alguma alteração da qualidade e, muitos factores concorreriam para isso, como a qualidade dos bens que integram a receita dos gelados Santini? O Santini, marca, não era já por si só um ícone de Cascais? Necessitava de decreto municipal para o declarar??? E, se o era, porquê arranjar culpados???? Pergunte-se a quem vendeu, porque vendeu! Sem complicómetros...
Anónimo
Anónimo a 16 de Abril de 2009 às 23:02

Sacrilégio!! Por isto sim, merciam os descendentes Santini ser excomungados, expatriados, exonerados do seu cargo de legítimos herdeiros da tradição. Vendido$. Pesadíssimo ónus para a dupla de novos proprietários: saber manter vivo o carisma de lo vero Signore Santini!! "Santini, gelatti fini." (inscrição original, in loco)
Mostarda a 17 de Abril de 2009 às 00:04

Tenho informações que o Botton concedeu a gerência, surpreendentemente, a um filho. Vai se lá compreender isto.. Entregar a gerência a um míudo que nem sequer acabou o seu curso...
António a 18 de Abril de 2009 às 11:32

Que tristeza! Uma das minhas motivações para me deslocar a Cascais passava por me deliciar com estas maravilhas geladas!
Será que um dia destes abre uma loja Santini na minha terriola? Se assim for, tenho de fazer como alguns jogadores de casino compulsivos e pedir que me impeçam de entrar........
José da Boa Fé a 24 de Abril de 2009 às 15:23

Frequento o Santini desde os seus tempos no Tamariz. Acho deplorável a Câmara não ter pago pela exclusividade do Santini e também uma tristeza ter constatado no que o Santini se tornou principalmente desde a morte dos seus antigos donos. O Sr. Santini iria concerteza ficar muito desiludido se hoje pudesse provar os gelados por cuja qualidade tanto lutou e que foi sempre seu ponto de honra.
PelaviladeCascaes a 19 de Agosto de 2013 às 19:58

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