O Blog da Escorregadela intelectual (versão 2.0)

27
Out 09

É do domínio público que Portugal caiu de 16º para o 30º na listagem dos países mais respeitadores da Liberdade de Imprensa (notícia aqui). Os Gato Fedorento fizeram (e bem) questão de destacar que cá o burgo partilha agora a posição no ranking com o Mali e a Costa Rica, esses bastiões da liberdade. Marcelo Rebelo de Sousa, o entrevistado desse dia aproveitou a oportunidade para criticar a administração da RTP por sistematicamente, e sem qualquer tipo de aviso, encurtar o programa e alterar a posição da grelha. Ficou-se então a saber (se é que ainda haviam dúvidas) que, com este executivo, os comentadores do PSD são bem-vindos... mas apenas em pequenas doses e de preferência sem audiências.

E se por um lado são graves as constantes confirmações de que o executivo, seja ele qual for, tem influência directa no universo RTP (RTP´s,RDP´s, Antena 1,2 e 3...), o VM não pode deixar de se questionar acerca das influências e interesses dos restantes players presentes no Universo da Comunicação Social. A relatividade da "verdade jornalística" é moldada em confirmidade com os interesses de grupos como a Controlinveste (Sportv, O Jogo, DN,JN,...), Sonae (Público), Impresa (SIC, Expresso, Visão...), Media Capital (TVI, RCP, M80, Rádio Comercial...) e a Ongoing. Todos os grandes têm procurado a fórmula mágica "Impresa+Rádio+TV" de forma a aumentar a sua esfera de influência e o equilíbrio tem sido cada vez mais ténue. De onde vem o dinheiro para estas operações? Especula-se muito mas... sabe-se pouco. No imediato e muito devido às pressões do governo e dos privados presentes no mercado, a liberdade ressente-se. No meio da luta, os jornalistas sobrevivem em condições laborais precárias e procuram interpretar o fogo cruzado que assistem diariamente. Nos entretantos vão sendo conquistados espaços, vão aparecendo programas que permitem medir a liberdade de expressão (por norma de humor) como os do Gato Fedorento (grande luta a do Herman José no seu tempo de RTP), os Contemporâneos e o suspeito "Vai Tudo Abaixo" do Jel.

Alguém explica ao VM a relação entre a informação e o humor? É que enquanto a primeira está cada vez mais asfixiada (não confundir com a outra, a democrática), a segunda vive de boa saúde...

Enfim, nem tudo está perdido quando é possível brincar com a política e com os seus interlocutores. O pior é quando a brincadeira passa dos limites. Que o diga o Jel e o Falâncio que ontem foram detidos por terem aparecido na cerimónia da tomada de posse dos ministros sem terem sido convidados (notícia aqui). Porque, por muito que a malta do burgo goste de rir, não existem milagres... mas existem limites.

 

Mr. White às 14:14

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