O Blog da Escorregadela intelectual (versão 2.0)

02
Mai 12

Ontem, 1º de Maio, dia de Luta dos Trabalhadores, dia para celebrar as conquistas que os trabalhadores do mundo conseguiram após a industrialização, designadamente a jornada semanal das 40 horas de trabalho entre outros direitos, o Grupo Jerónimo Martins, dono da cadeia de supermercados "Pingo Doce" abriu portas, obrigou os seus trabalhadores a trabalhar, violando o que tradicionalmente era tido como pacífico - o único dia do ano que os trabalhadores efectivamente não trabalhavam - e, sem pruridos, criou uma campanha vergonhosa, de dar um desconto de 50% nas compras de valor superior a € 100,00.

De imediato, se viu os resultados de tal campanha infame! As fragilidades sociais de um país à deriva ficaram expostas, as pessoas, carenciadas, ou menos carenciadas, correram paras lojas Pingo Doce, enfrentaram filas enormes, entraram em brigas físicas, para aproveitarem a "esmola" do Pingo Doce. UMA VERGONHA!

O 1º de Maio de 2012 vai ficar assim indelevelmente marcado por esta forma torpe de atacar os valores sociais, por esta forma de aproveitamento das necessidades das pessoas para alcançar o lucro fácil e atacar os valores de Abril e os valores do 1º Maio.

Mas o mais grave é que esta operação não foi acompanhada pela ASAE e nenhum membro do Governo se pronunciou sobre a mesma. Depois de retirar a sua sede e capitais sociais para a Holanda, o Grupo Jerónimo Martins ataca a sociedade com esta campanha ignóbil! O que Ms. Brown viu através das fotografias, através da TV e do que ouviu dos relatos que lhe iam chegando, deixam-na apreensiva. A concorrência desleal do Grupo Jerónimo Martins aniquila qualquer esperança num futuro melhor. Só hoje é que a ASAE apareceu para fiscalizar, mas deveria ter aparecido para prevenir, ao fim e ao cabo não é essa a sua função principal? E só apareceu hoje para fiscalizar, depois do mal feito, porque houve vozes que se levantaram contra esta prática desleal. E o Grupo Jerónimo Martins sabe também que as sanções que poderá vir a sofrer são diminutas face ao lucro que teve ontem.

Até quando este capitalismo cavalar que passa por cima de tudo e de todos? Uma Vergonha sem dúvida...

Ms. Brown às 13:04

170 comentários:
O facto de retirar impostos para fora do País Foi Mau. Agora as promoções, quanto mais melhor. Eu não fui lá porque não soube. Ajudar quem precisa é bom ,dar postos de tabalho é bom. os criticos muitos deles nunca mexeram uma palha para levantar o País. Tenho dito
António Alves Nunes a 2 de Maio de 2012 às 17:26

Desculpe se lhe respondo. Não julgo quem vivendo com algumas dificuldades aproveita esta campanha do PD. Mas acaso já se deu ao trabalho de pensar qual foi o impacto da abertura destas superfícies comerciais em dias santos e feriados, na diminuição do desemprego, com cujo propósito alegadamente justificavam a abertura? Qual o verdadeiro impacto na vida particular dos trabalhadores daqueles estabelecimentos que carecem, como todos os trabalhadores, de tempos de lazer para estarem com as famílias, usufruirem da cultura (cinemas, teatros, espectáculos, museus, etc..), terem vida pessoal e íntima mais liberta com os respectivos conjuges, filhos ou namorados?
- Não me consta que tenham aumentado os seus quadros nem a isso as administrações ou o próprio Governo se pronunciaram até hoje sobre tal assunto. Porquê? - Porque nada do que prometeram cumpriram e com a abertura apenas os trabalhadores saíram prejudicados.
O Dia do Trabalhador é celebrado mundialmente nas sociedades mais desenvolvidas, mesmo nos países comunistas, onde não se trabalha e faz a exaltação do trabalho e do trabalhador como elementos de valorização social. Foram as sociedades que o reconheceram; foram as sociedades que assumiram o 1º. de Maio como um dia de celebração!!
Querer negá-lo, não o respeitar seja a que pretexto fôr, é negar tais valores, é negar a consideração que a todos os trabalhadores é devida, independentemente de quaisquer outras considerações.
O que é triste é que os próprios trabalhadores, ou por ignorância ou por alheamento incompreensível, não o reconheçam!!

Um abraço!

Luis a 2 de Maio de 2012 às 19:57

Então e os hotéis, restaurantes, cafés, etc. também deviam fechar para os trabalhadores poderem usufruir do tal feriado!... Já agora encerre-se tudo, para todos poderem ficar de papo para o ar!
Isto é tudo pura demagogia. A esquerda luta por feriados, menos horas de trabalho, mais férias e direitos, só direitos. Onde estão afinal os deveres? Quem reconhece que o país precisa de mais produtividade em tempo de aflição?
Tenho a impressão que esta gente ainda não se apercebeu da gravidade da situação que vivemos. Ou então faz-se de parva e assobia para o lado. Acham que o Bloco de Esquerda ou o PCP fariam de Portugal um paraíso para todos? Vê-se pela calanzisse que querem imprimir na cabeça dos trabalhadores, que futuro lindo teria o nosso pais!

Quem lhe disse, minha senhora, que o país vive numa aflição? Eu não vejo nada disso, bem pelo contrário: Os nossos governantes vivem à grande e à francesa; Os banqueiros, administradores, grandes empresários, vivem à grande e à francesa; Os filhos, sobrinhos e enteados desta gente toda vivem à grande e à francesa, depois de fazerem os seus cursos em faculdades privadas e de arranjarem logo emprego a ganhar 4 ou 5 salários mínimos; As senhoras esposas desta gente vivem à grande e à francesa, sempre enfiadas em clínicas de estética e em festinhas de socialites. Os sem vergonha que roubaram este país vivem à grande e à francesa em Cabo Verde ou então são presidentes da república... e diz a senhora que este país vive numa aflição???!!! Valha-a Deus minha senhora!
Comunista a 2 de Maio de 2012 às 23:09

Os Hospitais não asseguram permanentemente (24h) a salvaguarda da vida humana, tal como os Bombeiros, as forças militares e militarizadas no que toca à segurança e manutenção da ordem pública, as profissões convencionalmente necessárias ao suporte das necessidades básicas das populações, bem como outras profissões que pela sua natureza e finalidade económica não podem ser dispensáveis? - Não se trata, pois, como certamente sabe, de encerrar o país.
Nem se trata de conceitos de "esquerda" como lhe atribui. - De outra forma, como explicar a prática de feriado no 1º. de Maio em países alegadamente governados por governos de "direita" ou próximos de valores com ela conotados como os EUA, o Japão - que o subscritor muito bem conhece - a França, a Alemanha, e tantos, tantos outros?
Também me parece que confunde "produtividade" com trabalho, sem olhar a outras condicionantes tão ou mais importantes que este.
Pode-se trabalhar apenas 4 horas e alcançar picos de produtividade 100%. Pode-se trabalhar uma jornada de trabalho com uma produtividade insignificante ou mesmo nula.
O problema de PORTUGAL não está, pois, na quantidade do trabalho, mas muito especialmente, na "qualidade" desse trabalho. Qualquer analista sério e isento sabe disso ainda que muitos "especialistas", advogando em causa própria, nos queiram fazer crêr do contrário. Daí que "esta gente" - como apelida quem sustenta uma opinião contrária à sua - funda as suas razões numa visão realista da sociedade portuguesa, na vivência de uma extensa e responsável carreira profissional que abrangeu a vigência de 2 regimes político-sociais, e alicerçada em estudo e prática aturados, que abarcam disciplinas tão diversas. que vão dos vários ramos do direito à gestão das organizações, à sociologia do trabalho, para citar apenas algumas.
Portugal não precisa de outros trabalhadores para além dos que tem! Precisa é de políticos e de dirigentes sérios, interessados verdadeiramente na causa pública. Também precisa de patrões com outra visão mais alargadada da sua actividade económica, sérios, cumpridores das suas obrigações fiscais, respeitadores dos direitos dos seus trabalhadores.
Também precisa de uma sociedade mais equilibrada, onde aos que nada teem sejam facultados os mais elementares meios de susbsistencia sem que isso revista a forma de "caridade".
Quando assim é, o que torna importante ser de "direita" ou de "esquerda"?
Quando assim é, qual o "pecado" de quem quizer "sonhar" o poder fazer desde que não prejudique terceiros?

Saudações, Maria Teresa.

Luis a 3 de Maio de 2012 às 00:45

O que está em causa não é a promoção; é o modo como esta foi feita e no dia em que foi feita. O presidente da república afirmou querer projectar o nome de Portugal,e este foi projectado: vimos manifestações em Espanha, em França, na grécia, nos EUA. Aqui assistiu-se a manifestaçõs no PD.
O 1º de Maio é uma criação ocidental, fruto de uma industrialização feroz contra os trabalhadores, sem quaisquer direitos. Passou a ser uma data comemorada à escala global.
Quanto ao facto de se comparar o super com médicos e enfermeiros ou com a restauração...é de uma saloiice atroz. Existe aquilo a que se chamam serviços básicos e basta atravessar a fronteira para o constatar-tudo fechado, excepto a restauração, serviços de emergência, etc.
É por essas e por outras que estamos como estamos. E já agora, eu não poderia dar de mão beijada 200 e tal euros em compras, mas parece que ainda há muito dinheiro para ser levado em impostos. Mas,não sei porquê, deve ser do meu bolso e de outros como eu que vão sair, pelo que apreciei.
Comentário- no PD a que costumo ir, algumas pessoas de idade pedem me para as deixar passar...espanto meu,quando reconheço, numa foto, algumas na fila do super...
rute a 3 de Maio de 2012 às 02:18

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