O Blog da Escorregadela intelectual (versão 2.0)

17
Mar 10

Tem sido notícia a morte de Nuno Rodrigues, conhecido por MC Snake, um rapper que ultimamente trabalhava com o conhecido Sam The Kid.

A ms. Brown confessa que lhe tem feito alguma espécie as notícias veiculadas, principalmente a última, no "Público" on-line, onde, de uma certa forma, se tenta desculpa o acto do agente da polícia, ao divulgar que só 4,5% da formação dos polícias é dedicado ao manuseamento de armas e que a arma da formação é diferente à arma que usam em efectividade de funções.

Sinceramente, a mim pouco me importam estes dados. O que importa é que um agente da autoridade alvejou mortalmente um condutor em fuga, atirando sobre o carro 3 vezes. O que importa é que, por algum motivo aquele agente da autoridade decidiu que disparar a arma seria o único método de deter o condutor em fuga. O que merece atenção é que o condutor em fuga não encetou qualquer acto de ataque ao agente de autoridade, não disparou, não lançou o carro para cima do agente, limitou-se a fugir.

A utilização de armas de fogo tem de ser proporcional ao que se pretende proteger. Os agentes de autoridade, mais do que ninguém, devem estar preparados para agir e reagir em situações como esta e noutras; devem saber distinguir quando há vidas em risco ou a integridade das pessoas que pretende proteger está a ser ameaçada.

À Ms. Brown parece que houve aqui um excesso de zelo da parte do agente de autoridade. Desculpem os que entendem o contrário, mas é essa a opinião da Ms. Brown. Mais, porque o condutor era negro, era rapper, tinha cadastro (tinha cumprido pena de prisão aos 18 anos por tráfico de droga), parece à Ms. Brown que artigos como este aqui publicado servem para desculpabilizar o agente da autoridade. No entanto, esquece-se quem escreve tais artigos que o agente de autoridade não sabia quem conduzia o carro; só sabia que alguém fugia.

Que tipo de testes psicotécnicos são feitos aos agentes de autoridade? Que formação é dada? Que disciplinas têm na escola de polícia? Será que este agente - e outros - estavam preparados para esta carreira? Uma pessoa que facilmente puxa da arma, dispara 3 vezes e mata uma pessoa só porque ela lhe foge, sem culpa formada, sem prova de prática de crime grave, não pode nunca ser um agente de autoridade!

E repugna à Ms. Brown que o advogado do Sindicato de Polícias tente desculpabilizar o acto com o facto de se ter verificado um crime de desobediência qualificada por incumprimento de uma ordem da autoridade. O Sr. Advogado deverá ter presente a regra da proporcionalidade da utilização dos meios aos fins. Neste caso houve uma desproporção desmesurada entre o que se pretendia proteger e o meio utilizado.

Este caso deve ser estudado, deve ser discutido na sociedade. Sem dúvida que é um caso que pode expor muitas das deficiências ao nível da formação de agentes de autoridade e que merece atenção.

Infelizmente, foi preciso morrer uma pessoa - inocente até prova em contrário - para se voltar a falar em dados estatísticos relativamente à formação dos agentes de autoridade. Mas quantas mais pessoas é preciso morrer até que alguma coisa mude para melhor?... 

McSnake morreu com 30 anos e deixa uma filha pequena...

Ms. Brown às 13:29

3 comentários:
Ms brown pode ter muita razão no seu comentário , mas porque razão o MC Snake não parou na operação stop, porque razão fugiu durante 8 km pondo em perigo as vidas ? jamais concordo em perder-se uma vida humana, mas aqui a culpa é dos dois lados.
PP a 17 de Março de 2010 às 16:17

PP será motivo para atirar a matar o facto de não se parar a uma operação stop? Em nenhum lado é dito que foi posta em causa alguma vida... aliás isto foi de madrugada quase nem havia movimento... não estou a condenar o agente de autoridade nem a desculpabilizar o Mc Snake, só chamo à atenção para a proporcionalidade da utilização dos meios ao nosso dispor....
Obrigada pelo comentário :)
Ms. Brown a 17 de Março de 2010 às 16:25

Não é a primeira vez que se verificam situações destas. E isso questiona a formação e a escolha dos elementos que constituem a PSP. Mais do que isso: questiona quanto do "social" e do político poderá estar por detrás duma pistola de polícia.
O caso deste polícia aparece com um toque humano inusitado. O homem estará traumatizado, talvez em choque, com assistência psicológica. Metido em casa. É simples cenário para papalvo acreditar? Não sei. Qualquer de nós se fossemos responsáveis pela morte de alguém, não ficaria no seu melhor equilíbrio, nem animado com uma excelente disposição.
Contudo, se é verdade que foram disparados 3 tiros e que a localização do furo feito por uma das balas indicia um disparo apontado com precisão, se isso é verdade, então o polícia (e a Polícia que o está enquadrando) merece o mais severo dos repúdios.
José Eduardo de Sousa a 17 de Março de 2010 às 21:26

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