O Blog da Escorregadela intelectual (versão 2.0)

06
Abr 09

O Viajar confirmou ontem aquilo que, no fundo, já sabia. Cá no burgo existem os desgraçados dos contribuintes e depois... bom, depois existem os deputados. O contribuinte quando está doente vê-se à rasca porque tem de justificar a falta no trabalho, tem de apresentar um atestado médico para que ninguém tenha dúvidas do seu verdadeiro estado, tem sempre de apresentar um documento para justificar uma ausência. O deputado, esse exemplo de cidadão, essa semidivindade, viu ser aprovada na semana passada uma resolução que determina que, em matéria de faltas, "a palavra do deputado faz fé, não carecendo de comprovativos adicionais". Esta brilhante resolução estabelece ainda que um atestado pode ser exigido ao deputado caso este se ausente por mais de uma semana.

Na Páscoa de 2006, qualquer coisa como 120 dos 230 deputados faltaram e não houve quórum para votações. Apesar das ausências, a maioria assinou o livro de presenças no início da sessão. Na altura o viajar pensou, "que vergonha, vão de certeza mudar o regime de faltas...".  

Em Dezembro do ano passado, a suspensão do modelo de avaliação do desempenho dos professores do governo só não foi aprovada porque faltaram 35 deputados da oposição. O Viajar voltou aos seus pensamentos "é desta, é desta que os vão meter na ordem...". 

E foi, lá se mudaram as regras. O resultado: um regime incrivelmente permissivo. Com ou sem fé, é caso para dizer... oremos caros Viajantes.

 

Os deputados devem sempre ser o exemplo, não a excepção.

Mr. White às 16:05

3 comentários:
Infelizmente, desde que temos Parlamento, os deputados têm sido bastante abusadores da democracia - ao fim e ao cabo são eles que fazem a Lei, logo estúpidos seriam se não a fizessem de molde a beneficiá-los. Leiam a "Queda de um Anjo" de Camilo Castelo Branco, ou alguns livros de Eça de Queiroz para perceberem como neste considerando os nossos deputados imitam os do séc. XIX...
SSF a 6 de Abril de 2009 às 18:46

Por isso é que andamos tão bem e tão depressa :)
Concordo com o comentário anterior, Eça está tão actual...
Rita a 7 de Abril de 2009 às 17:38

Primeiro a imunidade! Agora um regime excepcional para as suas faltas! É assim que a classe política pretende reconquistar a credibilidade e confiança dos eleitores? Não me parece....
José da Boa Fé a 7 de Abril de 2009 às 17:47

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