O Blog da Escorregadela intelectual (versão 2.0)

29
Jan 09

Numa altura em que olhamos para a nossa Justiça com algum descrédito e desconfiança, está a nascer, na zona oriental da capital do nosso país, a Cidade da Justiça.

Denominada como Office Parque Expo, a “nova cidade” tem cerca de 200 mil m2 de construção e vai albergar 25 serviços, entre tribunais, departamentos de investigação e acção penal, conservatórias, institutos, direcções-gerais e uma inspecção-geral da justiça.

Convém desde já referir que todos estes serviços, actualmente se encontram espalhados pela cidade, muitos deles em edifícios arrendados e desadequados, com encargos imensuráveis de conservação/manutenção e na celeridade dos serviços e processos.

Com um investimento total de 183 milhões de euros, as novas instalações estarão prontas a funcionar em finais de 2009 e neste momento, dos 10 edifícios do projecto, quatro já foram entregues enquanto que os restantes estarão concluídos até ao próximo dia 31 de Maio.

Se aparentemente pode parecer que se trata de um projecto megalómano, a verdade é que com esta solução, o Estado poderá alienar cinco imóveis e com isso arrecadar, nos “nossos” cofres, cerca de 30 milhões de euros, para não mencionar os contratos de arrendamento que rescindirá.

Não há qualquer dúvida que só assim se poderá iniciar um longo processo para tornar a justiça mais eficaz na sua burocracia interna, mais célere nas suas decisões e mais “confiável” aos olhos de quem a ela recorre.

No entanto, não basta criar edifícios com todas as valências de eficácia, conforto e vanguarda tecnológica! É necessário e imperativo (re)formar também os intervenientes da Justiça, criando-lhes novas metas, novos objectivos e mais do que isso, incutir-lhes o sentido de Serviço Público! Naturalmente, e esta será a decisão mais difícil mas de certo a mais eficaz, é imperativo para que tudo isso funcione, seleccionar os melhores! Como disse, esta é a decisão mais delicada que este ou qualquer outro Governo terá de tomar. Estão em causa pessoas e num ano com três eleições, só um Governo corajoso e a pensar no País, conseguiria assumir com determinação esse objectivo e com isso, levar a bom porto a dita “reforma no Sistema Judicial”!

Se a mão-de-obra não mudar para melhor, o palácio poderá ser muito bonito, mas não deixaremos de ter “burros” a olhar para ele!!!

Mr. Hellmanns às 15:56

5 comentários:
A frase final é arrasadora de tão real que é! Como funcionária pública que sou, gostaria muito de vir aqui rebater e defender os meus (muitos) colegas, mas não tenho argumentos! É certo que aqui, como em qualquer outro lugar, há maus e bons profissionais. A grande diferença reside que no privado, os maus seguem directamente para o desemprego ou para a despromoção. Aí, a máxima de Murphy é aplicada e todos são promovidos até ao limite das suas capacidades!
Irene a 29 de Janeiro de 2009 às 16:40

Não concordo! Não concordo com os milhões gastos neste tipo de megalomanias! Sou da opinião que primeiro mudam-se as pessoas e só depois mudar-se-ão palácios! É obvio que todos os actuais funcionários dos 25 serviços a deslocar para esta Cidade já estão incluidos no projecto e em todos os cantinhos e tenho a certeza que ainda cabem mais uns boys&girls que terão de ser encaixados por ser ano de eleiçoes!
José da Boa Fé a 29 de Janeiro de 2009 às 16:51

Quem assim fala, gago não é!
Pena esconderem-se por detrás de um nick. De qualquer forma, não deixo de concordar!
Até mesmo com o José.
P. Fonseca J. a 29 de Janeiro de 2009 às 17:02

Eis um tema em que tenho relativa facilidade por trabalhar no meio da Justiça! Há quase 10 anos que ouço falar da cidade judiciária. Inicialmente era para ser na Expo, depois, era para ser em Algés/Oeiras - projecto que não foi para a frente por causa de uns PDM's (era mais uma negociata) - e agora novamente na Expo. É tudo muito bonito. Concordo que os serviços espalhados pela cidade não ajudam. Concordo que o arrendamento de diversos imóveis também não ajuda nada ao erário público. Já penso que o encaixe de 30 milhões de euros não vai dar para tapar o buraco de milhões de euros gastos em arrendamentos de prédios para instalações provisórias/definitivas de tribunais, como foi o exemplo do tribunal do trabalho que ficou instalado num prédio que seria para habitação. Quantos milhões se gastou ao longo destes anos em arrendamentos?
Também há que dizer que não basta mudar a "carapaça". É muito bonito trabalhar em siítios mais novos, supostamente funcionais, mas a justiça não se basta com isso. Enquanto não forem abertos concursos para contratação de mais funcionários de justiça e magistrados; enquanto os materiais utilizados forem obsoletos - há juízes que usam os seus portáteis porque os computadores fornecidos são de mil novecentos e troca o passo - enquanto não derem formação gratuita a todos os agentes da justiça - os funcionários aprendem por si a trabalhar no citius, o mesmo com juízes, magistrados do MP, advogados - a justiça continuará lenta. A cidade judiciária na Expo, se por um lado tem a vantagem de agregar todos os serviços, por outro lado, segundo consta (ainda não confirmei) está longe de todos os transportes públicos, como Metro/Autocarros, implicando deslocações de carro - custos acrescidos para as partes. Enfim, por isso acho que "quando a esmola é grande...". Eu estarei por cá para ver a eficiência da máquina judiciária e da justiça!
SSF a 30 de Janeiro de 2009 às 11:08

A referida cidade está a ser construida muito perto do local onde trabalho! Tem sido uma obra rapidissima e pelo que posso ir ouvindo nos corredores, com grande qualidade e profissionalismo! Tal como é dito, só espero que os edificios venham a ser ocupado por excelentes e empenhados profissionais!
Basta de Palácios quando estamos rodeados de "burros"!
Suzy a 3 de Fevereiro de 2009 às 11:52

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