O Blog da Escorregadela intelectual (versão 2.0)

22
Mai 12

No Grande Dicionário de Língua Portuguesa da Sociedade de Língua Portuguesa, "coiso", sufixo masculino, significa o mesmo que "couso" que, por sua vez, deriva de "cousa" (o mesmo que "coisa") e significa qualquer indivíduo; fulano. Por seu turno, "coisa" na definição da Enciclopédia Larousse define-se, designadamente, como "ser ou objecto inanimado; entidade abstracta; situação, conjunto de acontecimentos, processo; realidade; o que acontece; relativo a um domínio; acto, facto, circunstância que se não quer ou não se pode explicar". Na linguagem popular "coiso" poderá referir-se ao falo masculino, principalmente quando há um certo pudor em dizer a palavra "pénis".

Mas, e apesar das fontes linguístics, o Álvaro, nosso ministro da economia, decidiu atribuir um novo significado ao sufixo "coiso" e, assim, desde ontem que este significa "emprego".

Muito criticado, principalmente por Francisco Louçã, Ms. Brown crê, contudo, que o "nosso querido" Álvaro limitou-se a  simplificar o sinónimo de "coiso" e assim, ao invés de definirmos o "coiso" de uma forma extensa, saberemos de imediato que significa "emprego" e que este significa "acto, facto, circunstância que se não quer ou não se pode explicar" ou "entidade abstracta".

Se não vejamos, no Portugal de 2012, "emprego" é algo muito astracto, tal o nível do desemprego actual, principalmente entre os jovens e, para além disso, os políticos não parecem querer aumentar os níveis de emprego e quando questionados sobre o "emprego" não o conseguem explicar.

Assim, o "emprego" é, sem dúvida, o "coiso" e por isso, mais uma vez, bem esteve o Álvaro ao referir-se ao "emprego" como "coiso"!

E aproveitando este "simplex linguístico", poderiam os políticos referir-se a "crise, euro, inflação, redução de salários, despedimentos, indemnizações, perda de direitos económicos e sociais, pobreza, esmola, etc.", como "coisas" que acontecem no país. Assim sempre que se tivesse de falar dos problemas que assolam o nosso país, bastaria referir-se "aos coisos" ou às coisas"...assim, de uma forma simples, superficial, leve, e talvez as pessoas não as associassem à incompetência dos políticos. Fica aqui a sugestão...Álvaro, por favor aproveite e já agora, um grande "coiso", na versão popular, para si!

Ms. Brown às 21:25

02
Mai 12

Ontem, 1º de Maio, dia de Luta dos Trabalhadores, dia para celebrar as conquistas que os trabalhadores do mundo conseguiram após a industrialização, designadamente a jornada semanal das 40 horas de trabalho entre outros direitos, o Grupo Jerónimo Martins, dono da cadeia de supermercados "Pingo Doce" abriu portas, obrigou os seus trabalhadores a trabalhar, violando o que tradicionalmente era tido como pacífico - o único dia do ano que os trabalhadores efectivamente não trabalhavam - e, sem pruridos, criou uma campanha vergonhosa, de dar um desconto de 50% nas compras de valor superior a € 100,00.

De imediato, se viu os resultados de tal campanha infame! As fragilidades sociais de um país à deriva ficaram expostas, as pessoas, carenciadas, ou menos carenciadas, correram paras lojas Pingo Doce, enfrentaram filas enormes, entraram em brigas físicas, para aproveitarem a "esmola" do Pingo Doce. UMA VERGONHA!

O 1º de Maio de 2012 vai ficar assim indelevelmente marcado por esta forma torpe de atacar os valores sociais, por esta forma de aproveitamento das necessidades das pessoas para alcançar o lucro fácil e atacar os valores de Abril e os valores do 1º Maio.

Mas o mais grave é que esta operação não foi acompanhada pela ASAE e nenhum membro do Governo se pronunciou sobre a mesma. Depois de retirar a sua sede e capitais sociais para a Holanda, o Grupo Jerónimo Martins ataca a sociedade com esta campanha ignóbil! O que Ms. Brown viu através das fotografias, através da TV e do que ouviu dos relatos que lhe iam chegando, deixam-na apreensiva. A concorrência desleal do Grupo Jerónimo Martins aniquila qualquer esperança num futuro melhor. Só hoje é que a ASAE apareceu para fiscalizar, mas deveria ter aparecido para prevenir, ao fim e ao cabo não é essa a sua função principal? E só apareceu hoje para fiscalizar, depois do mal feito, porque houve vozes que se levantaram contra esta prática desleal. E o Grupo Jerónimo Martins sabe também que as sanções que poderá vir a sofrer são diminutas face ao lucro que teve ontem.

Até quando este capitalismo cavalar que passa por cima de tudo e de todos? Uma Vergonha sem dúvida...

Ms. Brown às 13:04

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