O Blog da Escorregadela intelectual (versão 2.0)

18
Fev 12

Era uma vez um Coelho português que pensava que mandava na sua toca da floresta...porém, quem mandava era um burro francês e uma mula alemã que exigiam do coelho 2/3 das cenouras que este apanhasse para os alimentar.

E assim o Coelho mandou todos os coelhitos da sua toca trabalharem de sol a sol, sem descanso, e sem aumento de retribuição, para colherem todas as cenouras possíveis e as entregar ao burro e à mula.

Como se isso não bastasse, o Coelho pensou que para aumentar a produtividade devia acabar com feriados e com a tradição do Carnaval. Se assim o pensou assim o executou e ordenou que todos os coelhitos trabalhassem e procurassem todas as cenouras possíveis... 

Esqueceu, contudo, o Coelho que, por mais que os coelhitos trabalhassem, as cenouras não cresciam e por isso rapidamente deixaria de ser possível colhê-las se ninguém as plantasse...Mas o Coelho andava todo feliz porque tinha os coelhitos a trabalhar praticamente de borla, pois colhiam 5 cenouras e só ficavam com 1/2 de uma cenoura e entregavam tudo o resto,  e não descansavam. Pensava o Coelho que o burro francês e a mula alemã o deixariam de chatear e até lhe devolveriam algumas das cenouras no futuro. Andava enganado e obcecado o Coelho, que de tanto pensar em cumprir os pedidos de cenouras do burro e da mula se esqueceu das necessidades dos seus próprios coelhitos.

Entretanto, noutra parte da floresta, um cavalo grego dava os últimos suspiros de vida porque já não conseguia entregar cenouras ao burro e à mula e não tinha cenouras para si. Também outrora o cavalo grego aceitou as condições do burro francês e da mula alemã, e decidiu falar com os seus conterrâneos e pedir-lhes todas as cenouras que tinham...os conterrâneos nunca aceitaram de bom-grado essa imposição e viraram-se contra o cavalo grego que ficou sozinho...

O Coelho português ouviu falar deste cavalo mas não quis saber da sua história, pois a ele não lhe ia acontecer igual!

Entretanto, na toca, o Coelho cego e surdo não via nem ouvia os seus coelhitos que começavam a reclamar da falta de cenouras para cumprir os pedidos exagerados do burro e da mula...aos poucos e poucos os coelhitos reuniam e diziam que assim não dava, o burro e a mula que fizessem pela vida também!...

 

****

Esta história que bem podia ser uma de La Fontaine, ainda não tem fim e por certo, para Ms. Brown não terá um final feliz! O Coelho não viverá feliz para sempre.

Depois de todas as medidas de austeridade, veio o PM Pedro Passos Coelho retirar a tolerância de ponto no Carnaval...partida de mau gosto! Ms. Brown lembra-se da última vez que alguém tirou a tolerância de ponto - por acaso o actual PR que se insurge contra a austeridade - e sabe que para o País nada de bom aconteceu e para o PM da altura foi o início do fim!

Acaso o PM actual já fez contas à vida para saber o que se ganha com a retirada da tolerância de ponto do Carnaval? Ms. Brown não fez, mas imagina que o facto de obrigar as pessoas ir trabalhar neste dia, traduz-se em milhões gastos com pagamento de subsídio de refeição, com pagamento da electricidade, água, gás, internet, telefone, consumíveis de computador, de casa-de-banho, etc. e o retorno será zero, porque ninguém irá fazer o trabalho que pode fazer no dia antes ou a seguir. Para além do que, as terras que vivem do Carnaval e do turismo associado, como Torres Vedras, Loulé, Sines, Funchal entre outras, terão uma redução grande de clientes e de consumidores que não irão gastar 4 dias de descanso para gozar o Carnaval.

Enfim, este coelho que saiu da cartola lançou mal os dados e deu um tiro no pé!... a ver até quando continuará este despautério e obsessão pela austeridade...será que o povo português, continuará a ser um povo de brandos costumes?...

 

Ms. Brown às 00:16

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