O Blog da Escorregadela intelectual (versão 2.0)

06
Set 11

Hoje em dia falar de mercados já não traz à memória nenhuma boa recordação. Agora só se sabe falar de mercados financeiros e de como os mercados influenciam a economia e de como tudo isso acarreta uma desgraçada crise de que todo o mundo fala e que ninguém sabe como resolver.

Antigamente, quando Ms. Brown ouvia falar de mercados era dos tradicionais, daqueles das D. Rosas (há sempre uma D. Rosa) ou das D. Lucindas, ou D. Marias, enfim, das floristas, das peixeiras, das que vendem produtos hortícolas (lá está, a D. Rosa das couves). Esses mercados, pelo menos só traziam boas influências. Se mexiam com o consumo e a economia nacional? Sim, à sua escala, mexiam e ninguém se queixava. O mercado de Ms. Brown sempre foi o de Arroios, ali perto da Praça do Chile, se bem que, de vez em quando, em grande traição de lesa-pátria, também fosse ao Mercado 31 de Janeiro (o antigo e depois o mais recente), ao de Alvalade, tendo também dado um pulo ao de Benfica. Todos eles grandes mercados e nenhum era causador de crise nenhuma, antes era de grande alegria! Não admira que não haja político que se preze que não vá dar uma volta ao mercado em tempo de campanha eleitoral. Há lá melhor coisa do que ouvir o pregão de uma peixeira, daquelas mesmo castiça?!

Agora, com os mercados financeiros, perdeu-se a graça toda. Não há D. Rosas a pregar a boa chaputa ou um pregado fresquinho. É tudo muito sério, lavadinho demais, com nomes complicados e com linguagem imperceptível. "Quem quer comprar eurobonds?" podia até ser um bom pregão, mas quem é que realmente sabe o que são eurobonds? E como se cozinham? São fresquinhos? São melhores no forno, fritos ou cozidos? Acompanham batatas a murro e uns brócoluzinhos? Não, pois não?! E quem quer saber da dívida soberana - não parece que seja fruta exótica daquela que vem dos "brasis oh freguesa!".

Irra para os mercados financeiros, para as eurobonds, para a dívida soberana, para as taxas de juro, para os defaults, para as euribores e afins, para o Trichet, para o Barroso, para a Merkel e o diabo a sete!

Ms. Brown lança desde já aqui um repto: que sempre que se falarem de mercados que se falem dos tradicionais, dos bons velhos mercados portugueses (até do mercado do Bolhão quiseram dar cabo!). Esses sim grandes mercados incrementadores da economia nacional. Venha de lá a "laranja docinha oh freguesa!", "a dourada do mar, fresquiiinhhhaaaa", a "couve-flôr sem aditivos", a "batata que ainda cheira a terra oh menina e que é tão boa para fazer sopa"... E aí sim, quando as notícias só falarem desses mercados, a economia cresce e o povo agradece!

Abaixo os mercados financeiros, viva os mercados de flores, de peixes, agrícolas!

Ms. Brown às 17:49

comentário:
Excelente texto.
Estás linkado no PalMica-me :)
Casimiro dos Plasticos a 7 de Setembro de 2011 às 07:55

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