O Blog da Escorregadela intelectual (versão 2.0)

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Out 10

Vivemos tempos conturbados, de crise económica, financeira, social e política. Para onde quer que se vire, Ms. Brown vê, ouve, lê sempre a palavra "CRISE"...

Infelizmente, as perspectivas não são as melhores. Todos os entendidos na matéria antevêem um longo período de crise e não se vislumbra luz ao fundo do túnel. Ainda hoje se ouviu e se leu Medina Carreira, esse arauto da crítica ao Governo e a José Sócrates, a dizer com todas as letras que o nosso PM foi uma desgraça para o país e o que Governo merecia era uma sapatada pela responsabilidade na crise gerada e agora por causa da novela do Orçamento. Também Marcelo Rebelo de Sousa, na sua rubrica televisiva na TVI se referiu à crise e em como o futuro não augura nada de bom se as coisas não encarrilarem e se não houver acordo entre todos os partidos.

Na base da "crise" lato sensu, está a crise económica que teve início nos mercados financeiros nos finais de 2007 e que teve o seu auge no final de 2008. Como uma bola de neve, o quase colapso da economia dos EUA provocou um forte impacto negativo nos mercados financeiros europeus e colossos como a economia alemã sentiram o seu efeito. Mas, porque são economias sólidas, bem estruturadas e porque os países têm à frente pessoas responsáveis, as economias abalaram mas não caíram e por isso agora encontram-se em recuperação. Pelo contrário, países como a Grécia, e agora Portugal, vêem as suas economias cair como castelos de carta, sem soluções viáveis que permitam uma rápida recuperação!

Hoje Medina Carreira arrasou o Governo e o nosso PM por causa da crise. Numa longa entrevista, descredibilizou totalmente o Ministério das Finanças e criticou toda a política económica-financeira do Governo, e por ele este Governo e o PM já teriam sido demitidos. No entanto, com grande sentido de Estado e porque sabe que estamos em plena crise económica e financeira e que estas potenciam crise social e crise política, Medina Carreira admite que o PSD deve viabilizar o Orçamento a bem da nação. E o mesmo diz Marcelo Rebelo de Sousa que, apesar de todos os contras deste Governo, alerta Pedro Passos Coelho para as drástica consequências se mantiver a postura de dizer "não" ao OE.

E com efeito, é neste impasse que nos encontramos: viabializar ou não o OE, eis a questão!

Humildemente, Ms. Brown acompanha a opinião de Marcelo Rebelo de Sousa e de Medina Carreira. Mais do que defender interesses pessoais, político-partidários, ir em busca do voto fácil, devem José Sócrates e Pedro Passos Coelho assumir uma postura responsável e ter em conta os interesses do Estado. José Sócrates tem de deixar a sua postura arrogante, de "quero, posso e mando", pois já não está nessa situação; e Pedro Passos Coelho tem de deixar a postura de "menino mimado", que têm de lhe fazer as vontades todas. Ou seja, o OE tem de ser viabilizado! Mas não deve ser só ao PS e ao PSD que se têm de pedir responsabilidades. O Parlamento tem também outros partidos representativos da vontade popular, o PCP, o BE e o CDS-PP, que também têm a responsabilidade de zelar pelo interesse nacional e de salvaguardar que a crise seja superada...Ms. Brown quer com isto dizer que tem de haver um consenso global, de todos os partidos em prol de um maior interesse, o Nacional. Claro que o OE só passará quando reflectir esse consenso...

Todavia, entende Ms. Brown que não será com aumento de receitas através de aumento de impostos que se vai conseguir equilibrar as contas do Estado. Deve igualmente reduzir-se a despesa, mas não à custa dos funcionários públicos, os ditos "normais". Deverá, antes, reduzir-se o número de empresas e institutos públicos; deverá reduzir-se a quantidade de regalias e benefícios dos que ocupam alto cargos públicos; não deverá permitir casos escandalosos como os da EPAL que só depois de divulgados na TV é que tiveram intervenção ministerial (alteração da frota automóvel com aquisição de cargos de alta cilindrada e um gasto exagerado do erário público!); deverá haver um rigor nas contas e nas despesas que foi algo que não houve até agora! Deve olhar-se para exemplos como o da Espanha ou o da Irlanda, países onde os Governos fizeram esforços para reduzir as despesas. Em Espanha reduziram-se o número de institutos públicos.

A crise é grave, a classe média praticamente foi dizimada, os funcionários públicos estão a pagar o "pato", o aumento de imposto afasta competitividade e obriga a saída das empresas para outras paragens, logo para que não se agrave mais a situação económica, financeira e principalmente social, enfim vivemos um cenário de horror como há muito não vivíamos (nos idos anos 80 também tivémos uma crise grave com intervenção do FMI a pedido do governo). Mas, Ms. Brown, como "panglossiana" que é acredita num futuro melhor, acredita que depois da tempestade vem a bonança e que Portugal sairá desta crise. Ms. Brown tem esperança num futuro melhor...

Ms. Brown às 22:38

comentário:
É com regozijo que se lê este post de inspiração económica, social e financeira. O tema é sério, e a exposição sobre a conjuntura está bem estruturada. E o conteúdo? Baseia-se em opiniões, faz inúmeras referências, apresenta factos e argumentos, refere comentadores e por isso deixa o viajante aparentemente esclarecido. Tem, no entanto uma boa dose de subjectividade como é óbvio. Não há consenso em alguns argumentos. Não são contestados, mas não há sintonia… um caminho que no entanto não interessa percorrer, o do confronto. Até Medina carreira é dessa opinião!

A melhor opção é mesmo a do altruísmo, da confiança, da tolerância, indo mesmo mais longe, da abnegação em prol do interesse público… Especialmente quando as condições já por si são muitíssimo adversas. A política é mesmo assim… são temas já desenvolvidos, explorados, abordados, mas também e muitas vezes de novo ignorados.

Sendo sério o assunto da dita CRISE, preferível é desmistificar, dando-lhe um cunho divertido, ao jeito das medievais Cantigas de Escárnio e Maldizer… De uma forma divertida e satírica, são ditas verdades e são abordados na brincadeira os receios e as questões sérias.

… Desde a época medieval que muito se escreveu, my god!! São recordados momentos dos primórdios que excelentes registos deixaram. Aliás existe a convicção de que foram esses tempos que tão positivamente marcaram, que acabaram por sustentar e ser indispensáveis na manutenção do caminho percorrido posteriormente até aos difíceis e agrestes tempos de hoje… O diálogo desses tempos, do princípio, foi o garante de hoje haver ainda escrita sobre tudo e sobre nada, caso contrário já tudo seria nada!

Entretanto uma achega política, com humor, como sugerido acima… Viva a democracia, com tudo o que de bom tem, especialmente a liberdade. Também alguns senãos… Quando se organizam as hostes para botar abaixo o líder, o bobo do Medina Carreira é o primeiro a ter direito a tempo de antena! Todos falam, todos abrem o bico e vale tudo. MC é um incoerente, diz uma coisa e faz outra (vai aprovar o OE!). Aliás, importava até saber o que fez pelo país quando teve oportunidade para isso.

De resto as políticas genuínas lavradas outrora estão escritas e ao sabor do tempo permanecerão actuais ou ficarão desactualizadas.. O tempo não é mais do que aquilo que dele fazemos.

Nada resultará se no terreno, na prática, se as opções não forem correctas, não há orçamento de estado, discursos ou textos que valham… Entre outras variáveis, a aposta é no dia-a-dia, na boa relação entre as instituições… na diminuição do afastamento do líder… aí reside a esperança de um futuro melhor…
Nikita a 11 de Outubro de 2010 às 15:20

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