O Blog da Escorregadela intelectual (versão 2.0)

22
Set 10

Supostamente, hoje, assinala-se o Dia Europeu sem Carros (DESC), integrado na semana da Mobilidade que teve início no dia 16 de Setembro.

No entanto, pelo menos ao que foi dado a conhecer a Ms. Brown, poucas ou nenhumas iniciativas tiveram lugar para assinalar este dia e esta semana!

O DESC nasceu para a vida no ano de 2000, ano em que, os municípios portugueses aderiram em massa, com múltiplas iniciativas. Lisboa, ficou sem carros, várias ruas foram fechadas ao trânsito, via-se gente a andar a pé, de transportes públicos, de bicicleta, de skate. Foi uma festa e todos estavam felizes! Em 2001, a festa continuou e em 2002, a CE decidiu instituir o DESC! Mas, para mal dos nossos pecados, as iniciativas começaram a escassear, até que chegamos ao dia de hoje e deparamo-nos com milhares de carros a circular em Lisboa e arredores (Ms. Brown crê que o mesmo se passa noutras localidades), sem que se tenha visto qualquer iniciativa para se assinalar este dia!

Até os próprios sites da internet dedicados a este dia estão desactualizados, sendo de 2000 ou de 2003 ou já estão desactivados (www.lisboasemcarros.org; www.umdiasemcarros.org; wwww.tudosobrerodas.pt) e o único site que dedica algo mais ao DESC é da Agência Portuguesa para o Ambiente (www.apambiente.pt). No site da Câmara Municipal de Lisboa (www.cm-lisboa.pt) só depois de ler algumas notícias é que nos deparamos com informação sobre o DESC e que nos remete para um pdf com as iniciativas tomadas pela Edilidade - tudo dentro de portas com apresentação de vários projectos e afins, sem grande impacto!

Ms. Brown raramente anda de carro em Lisboa, privilegiando o Metro, mas porque foi educada assim e porque sempre criou soluções para a falta de transporte individual.

Infelizmente, a maior parte das pessoas é comodista e prefere vir de carro, gastar gasolina e pagar balúrdios de estacionamento ao invés de vir de transporte público, mas tal razão poderá não se prender somente com comodismo. Será que a rede de transportes públicos é suficiente? Será que os horários são compatíveis com os horários de trabalho? Será que os preços são proporcionais à qualidade do serviço? E as ciclovias? Serão elas suficientes? Estarão bem conservadas?

Ms. Brown entende que não é com aumento dos valores diários de estacionamento, com bloqueios abusivos dos carros, com alugueres de bicicletas a preços absurdos que se vai evitar a entrada de mais carros em Lisboa. Algo deverá e tem de ser feito, começando por lutar os lobbys das gasolineiras e das empresas privadas de estacionamento e acabando numa educação "mais verde" da população. Se na Alemanha, na Suécia, na Holanda as pessoas andam todas de bicicleta, sem se queixarem, porque não haveremos nós, portugueses, fazer o mesmo?!

Ms. Brown vai assinalar o DESC como assinala todos os dias - andando a pé e de metro - contribuindo, assim, para a redução da poluição. E os viajantes, como pensam fazer?...

Ms. Brown às 10:52

comentário:
Tomo a iniciativa de comentar este post por abordar uma temática que muito me diz, onde se inclui ambiente, ecologia, economia, enfim Sustentabilidade.

A falta de iniciativas no âmbito do DESC, como se comprova pelos argumentos e exposição de Mrs. Brown, é uma pena, porque de pequenos passos se vão fazendo grandes caminhos. Em contrapartida, ainda que timidamente, vão acontecendo iniciativas como Ciclos e Conferências sobre Sustentabilidade a marcar cada vez mais o espaço na agenda de quem tem poder de decisão, nomeadamente no meio empresarial e estatal, embora neste último, com bastante menos significado, infelizmente…

Ambos os temas, DESC e Sustentabilidade são complementares e concorrem para os mesmos fins.

Na tentativa de justificar a suposta perda de força das iniciativas ligadas ao DESC, atrevia-me a referir a Pirâmide de Maslow (http://novo-mundo.org/wp-content/uploads/maslow.jpg) , para fazer uma vaga analogia entre as necessidades das pessoas e as de um país. Esta Teoria estabelece uma hierarquia de necessidades do Homem, ao mesmo tempo que lhes dá maior ou menor importância e peso relativo. Começa na base da pirâmide pelas fisiológicas e vai subindo até às necessidades de Auto-Realização. Num país, também é definida uma missão, são definidas prioridades e áreas de acção aos vários níveis. Neste momento, o país depara-se com questões económicas e sociais muito delicadas, o que faz com que alguns investimentos regridam e as opções voltem à base da pirâmide, numa tentativa de mobilizar os recursos disponíveis para a sobrevivência do próprio sistema, isto é, das pessoas. Ou seja, desde que estalou a bolha financeira, verificou-se o efeito borboleta e a consequente perda de valor de muitas economias. Claro, Portugal dos primeiros a acusar. Desta maneira, comprometeram-se valores e iniciativas mais ambiciosas que já iam ganhando forma e que afinal permitiam dar saltos no sentido do desenvolvimento.

Basta olhar para os países mais desenvolvidos, nomeadamente os nórdicos, onde as necessidades da base da pirâmide há muito estão salvaguardadas, as ambições e os voos da sustentabilidade estão já na ordem do dia. Digamos que esses países correm já por outro tipo de conquistas mais poderosas, criando assim uma identidade e referência forte perante o mundo. O caso dos EUA, que embora seja um dos países mais desenvolvidos, ou era, nesta área “eco” tem muito ainda para aprender e para crescer.

Optimismo não faltará aos viajantes, mas face a tudo, já nem sabem nem crêem em nada!... Perante o cenário, têm que reconhecer que está criado um momento de impasse, dirão mesmo, uma encruzilhada… que só o tempo poderá desfazer…
Maslow a 23 de Setembro de 2010 às 10:26

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