O Blog da Escorregadela intelectual (versão 2.0)

14
Set 10

No domingo à meia-noite foram publicados on-line os resultados de admissão (ou não) à Universidade. Em milhares de casas, pais e filhos ansiavam pela publicação on-line dos resultados.

Ontem Ms. Brown, por motivos de formação profissional, dirigiu-se à Reitoria da Universidade de Lisboa e por momentos foi transportada no tempo para a altura em que entrou na Universidade. A angústia da espera dos resultados, a correria para a Reitoria para ver se tinha entrado ou não, a praxe "ad hoc" que sofreu assim que mandou um berro de contentamento porque tinha entrado, as perguntas infindáveis sobre como seria o mundo universitário, o que lhe esperaria, seriam os colegas porreiros, e os professores...para Ms. Brown era um mundo novo! Vinda de um colégio particular que não tnha mais do que 250 alunos espalhados pelas várias turmas e anos, de repente Ms. Brown encontrava-se numa Faculdade com cerca de 5.000 alunos!

Foi também por volta desta altura, mês de Setembro, que Ms. Brown soube que tinha entrado. Ainda não tinha feito os 18 anos, era uma jovem sonhadora, despreocupada e de bem com a vida (o sonho, a despreocupação e o estar de bem com a vida mantêm-se...). Ms. Brown recorda-se que com ela estava uma grande amiga (daquelas que são de sempre e vão ficar para toda a vida) que também ia ver se tinha entrado na Universidade. As duas apoiámo-nos uma na outra, rimo-nos, festejámos, fomos a correr ter com os nossos pais a dar a boa nova... enfim foi algo de fantástico! Depois de 3 longos e angustiantes anos no secundário, a lutar por médias, a fazer contas à vida, depois do stress da Prova de Aferição (vulgarmente apelidade de "Aflição") e das Provas Específicas, a espera dos resultados naquele interminável Verão, eis que o prémio de tantos sacrifícios surgia na nossaa frente com a palavra de "admitido" e o nome da faculdade para onde íamos estudar.

Depois, bem depois, os anos de Universidade foram os melhores anos da vida de estudante de Ms. Brown. Todas as preocupações, receios, e dúvidas existenciais deixaram de existir logo no 1º dia de aulas - o dia da praxe! Nesse dia Ms. Brown, que nunca teve dificuldade em fazer amigos, encetou logo amizade com caloiros e veteranos, o que de imediato lhe permitiu uma rápida integração. Depois, Ms. Brown entrou num mundo da política académica, integrando listas para a Associação. Entrou também na equipa de volley universitário, criou a comissão de finalistas do seu ano de curso, esteve nos órgãos representativos da faculdade e passava a maior parte do tempo nos matrecos ou a jogar à espadinha no bar da faculdade! Aulas, que era bom, quase não ía! Mas, não pensem os viajantes que Ms. Brown só teve uma vida de farra! Não. Assim que chegava a época de exames, Ms. Brown desaparecia do mapa e só ressurgia, pálida, cheia de olheiras, no final de Julho, depois de tudo concluído! E assim, Ms. Brown orgulha-se de dizer que fez o seu curso em 5 anos, sempre em 1ª época, sem prescindir da sua vida de farra académica que era feita entre Outubro e Maio! Foram, sem dúvida, grandes anos e onde foram feitas boas amizades que ainda hoje se mantêm.

Agora, inicia-se uma nova fase para imensos miúdos acabados de sair do secundário, todos eles com as mesmas dúvidas existenciais de Ms. Brown na sua altura. A eles, Ms. Brown diz para aproveitarem ao máximo a vida da Universidade. Estudem, mas festejem, façam amigos e façam aquilo que nunca mais irão fazer, porque os tempos de faculdade são os melhores e não voltam mais! Boa sorte nesta vossa nova etapa!

Ms. Brown às 09:56

comentário:
"Um dia a maioria de nós irá separar-se.
Sentiremos saudades de todas as conversas atiradas fora,
das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos,
dos tantos risos e momentos que partilhámos.

Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia, das
vésperas dos fins-de-semana, dos finais de ano, enfim...
do companheirismo vivido.

Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.
Hoje já não tenho tanta certeza disso.
Em breve cada um vai para seu lado, seja
pelo destino ou por algum
desentendimento, segue a sua vida.

Talvez continuemos a encontrar-nos, quem sabe... nas cartas
que trocaremos.

Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices...
Aí, os dias vão passar, meses... anos... até este contacto
se tornar cada vez mais raro.
Vamo-nos perder no tempo...

(...)

A saudade vai apertar bem dentro do peito.
Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente...
Quando o nosso grupo estiver incompleto...
reunir-nos-emos para um último adeus a um amigo.
E, entre lágrimas, abraçar-nos-emos.
Então, faremos promessas de nos encontrarmos mais vezes
daquele dia em diante.
Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a
sua vida isolada do passado.
E perder-nos-emos no tempo...
Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não
deixes que a vida
passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de
grandes tempestades...

Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem
morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem
todos os meus amigos!"

"O valor das coisas não está no tempo em que elas duram,
mas na intensidade com que acontecem
Por isso existem momentos inesquecíveis,
coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis"
Fernando Pessoa

Fernando Pessoa a 17 de Setembro de 2010 às 15:23

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