O Blog da Escorregadela intelectual (versão 2.0)

25
Ago 10

De acordo com o Diário Económico de hoje, o Ministério da Saúde foi obrigado a protelar o pagamento das dívidas a algumas empresas fornecedoras de serviços e subsistemas de saúde por dificuldades financeiras, concretamente à PT, CTT e SAMS. Até ao momento, as dívidas acumuladas a estes fornecedores ascendem aos 50 milhões de euros.

 

Se a isto juntarmos o facto da tutela dever, em contas redondas, para cima de 900 milhões de euros à indústria farmacêutica (via hospitais públicos), a coisa está negra e ainda deve ficar pior. A Apifarma - Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica tomou a decisão de cobrar juros de 8% pelo atraso no pagamento de medicamentos. Em causa está a compensação pelos 551 milhões que os hospitais devem às farmacêuticas há mais de 90 dias (o que dá a simpática quantia de 50 milhões de euros em juros, a pagar já em Setembro).

 

De acordo com outros meios, estão ainda por pagar as facturas da ADSE dos últimos três meses de 2009 e os acertos relativos às contas do SNS nos últimos dois anos. Os gestores dos hospitais públicos dizem-se entre a “espada e a parede”. Pedro Lopes, presidente da Associação dos Administradores Hospitalares, admitiu publicamente que o crescimento da dívida dos hospitais à IF está “um bocadinho” descontrolada, mas que estão a ser tomadas medidas pelos hospitais para inverter a situação.

 

Na Grécia, onde o cenário das dívidas hospitalares é idêntico, a Indústria Farmacêutica aceitou o pagamento em títulos de tesouro. Com a presente crise e desvalorização da respectiva economia, a IF está-se a ver grega para receber. O pior deste acordo: a IF só pode mexer nos títulos dez anos após o acordo. Sabe-se lá o que restará nessa altura.

 

No sector privado nacional, a vida também não está fácil. Dados da ANF mostram que há 665 farmácias em dificuldades financeiras e que não conseguem pagar aos fornecedores. A maioria estabeleceu acordos amigáveis para regularização das dívidas, mas 168 estabelecimentos são alvo de processos judiciais de cobrança coerciva. Os montantes ascendem a um total de 151 milhões de euros.

 

Parece ser oficial: a Saúde está nas lonas. E o Estado, uma vez mais, é quem dá o pior exemplo...

Mr. White às 12:53

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